Alimentação Saudável na Terceira Idade

À medida que envelhecemos, o organismo sofre alterações naturais que influenciam as necessidades nutricionais. O apetite pode diminuir, a digestão torna-se mais lenta e algumas doenças crónicas ou medicamentos podem interferir na absorção dos nutrientes. Neste contexto, a alimentação assume um papel determinante na promoção da saúde e da qualidade de vida. De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), uma alimentação saudável é um dos pilares do envelhecimento saudável, contribuindo para a manutenção da autonomia, da capacidade funcional e do bem-estar da pessoa idosa (DGS, 2022).

Porque é tão importante uma boa alimentação?

Uma alimentação equilibrada fornece a energia e os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo. Segundo o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), uma alimentação variada e equilibrada ajuda a preservar a massa muscular, reforça o sistema imunitário, reduz o risco de desnutrição e contribui para a prevenção e controlo de doenças crónicas, como a diabetes, a hipertensão arterial e as doenças cardiovasculares (DGS, 2022).

A adoção de hábitos alimentares saudáveis permite ainda melhorar a qualidade de vida, preservar a independência funcional e favorecer um envelhecimento mais ativo.

O que deve fazer parte da alimentação diária?

A alimentação da pessoa idosa deve ser diversificada, equilibrada e baseada, sempre que possível, nos princípios da Dieta Mediterrânica, privilegiando alimentos frescos e pouco processados (DGS, 2016).

Frutas e legumes

Devem ser consumidos diariamente, pois são ricos em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo e para a prevenção de diversas doenças.

Proteínas de alto valor biológico

Carnes magras, peixe, ovos, leguminosas e laticínios são importantes para manter a massa e a força muscular, ajudando a preservar a mobilidade, a autonomia e a prevenir quedas.

Cereais integrais

Aveia, arroz integral, pão integral e outros cereais ricos em fibra contribuem para o bom funcionamento intestinal, promovem maior saciedade e ajudam a regular os níveis de glicemia.

Gorduras saudáveis

O azeite, os frutos gordos, as sementes e o abacate, fornecem gorduras insaturadas benéficas para a saúde cardiovascular, devendo ser consumidos com moderação.

A importância da hidratação

A desidratação constitui um problema frequente na população idosa, uma vez que a sensação de sede diminui com o avançar da idade. Por esta razão, a DGS recomenda a ingestão regular de líquidos ao longo do dia, mesmo na ausência de sede (DGS, 2022).

A água deve ser a bebida de eleição, podendo ser complementada com leite, chá sem açúcar e sopas, que também contribuem para uma hidratação adequada.

Quando o apetite diminui

É frequente que algumas pessoas idosas apresentem diminuição do apetite. Nestas situações, podem ser adotadas estratégias simples que favoreçam uma alimentação adequada, como fazer refeições de menor quantidade, mas mais frequentes, tornar os pratos visualmente apelativos e variados, respeitar os gostos e preferências alimentares da pessoa, proporcionar um ambiente calmo e confortável durante as refeições e incentivar as refeições com companhia.

O convívio durante as refeições pode estimular o apetite, aumentar o prazer em comer e contribuir para o bem-estar emocional.

Alimentos a consumir com moderação

De acordo com as recomendações da DGS, devem ser limitados os alimentos com elevado teor de sal, açúcares adicionados, gorduras saturadas e gorduras trans, produtos ultraprocessados, refrigerantes e outras bebidas açucaradas.

A redução do consumo destes alimentos contribui para prevenir e controlar doenças crónicas e promover uma melhor saúde cardiovascular.

O papel dos familiares e cuidadores

Os familiares e cuidadores devem estar atentos a sinais como perda de peso involuntária, diminuição do apetite, dificuldade em mastigar ou engolir, alterações do estado nutricional ou redução da ingestão de alimentos. A identificação precoce destas situações permite uma intervenção atempada e pode prevenir complicações de saúde.

Sempre que existam dúvidas ou necessidades específicas, deve ser procurado o aconselhamento de um médico ou nutricionista, permitindo adaptar a alimentação às necessidades e às condições de saúde de cada pessoa.

Conclusão

Uma alimentação saudável constitui um dos principais pilares do envelhecimento ativo e saudável. Aliada à prática regular de atividade física, a uma hidratação adequada e ao acompanhamento pelos profissionais de saúde, contribui para preservar a autonomia, a capacidade funcional e a qualidade de vida da pessoa idosa.

Promover hábitos alimentares saudáveis é investir num envelhecimento com mais saúde, independência e bem-estar, beneficiando não só a pessoa idosa, mas também as famílias e cuidadores que a acompanham.

 

Artigo escrito por:
Ana Patrícia Costa
Nutricionista | Cédula Profissional n.º 4215N

 

Referências bibliográficas

Direção-Geral da Saúde. (2016). Guia Alimentar da Dieta Mediterrânica. Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

Direção-Geral da Saúde. (2017). Roda da Alimentação Mediterrânica. Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

Direção-Geral da Saúde. (2022). Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

Serviço Nacional de Saúde. (2023). Alimentação saudável. SNS.